Para a 26a edição do Festival do Instituto de Artes (FEIA) da Unicamp, Flutua, criou e ministrou a ação formativa – Volte Sempre: residência para criação coletiva através de plásticos de reuso.
Qual travessia estamos criando? No tempo máximo de vida de uma pessoa, não há finitude ao plástico. Não há fim dele enquanto estamos aqui. O primeiro plástico criado, ainda existe, ainda atravessa, ele sempre volta.
A partir do uso de sacolas plásticas com o slogan “volte sempre” convidamos os envolvidos na oficina a refletir sobre essa materialidade, sobre suas potências artísticas e sobre como ele sempre volta. Que rastro é esse que fica? Que narrativa e ocupação ele vem criando nos espaços, nas pessoas, nos territórios.
Iniciando com uma deriva pelas praças e espaços do entorno da Unicamp e Barão Geraldo, conseguimos entender um pouco do território, olhando para seus usos, onde enxergamos o plástico nesses locais e suas outras peculiaridades.
É pela prática errante da deriva que é possível ter um contato mais sensível com o espaço urbano. Na caminhada começa a construção de uma narrativa coletiva sobre como as pessoas veem e reconhecem esse espaço, se elas apenas passam por ele ou quais outras relações criam ali. O movimento da deriva tendo uma materialidade específica como guia á nos coloca em um estado presente e atento no percurso. Deste modo, a cidade para de ser apenas cenário e passa a ser vista como ela é, um organismo vivo e mutável.
Mais do que atravessar e caminhar para algo, a palavra travessia nos convida a seguir conscientes de cada passo dado. Voltar a consciência para algo ordinário — como o ato de andar ou as sacolas plásticas, que nos remetem ao uso instantâneo e ao descarte — provoca esse movimento do cotidiano para o extraordinário, e também a possibilidade de resistências e insurgências nas narrativas urbanas.
Durante a residência as discussões foram guiadas em torno das seguintes temáticas:
- A materialidade do plástico e suas possibilidades e temporalidade;
- Como dispor de um olhar atento para os territórios que habitamos?
- Como o sujeito ativa os espaços da cidade?
Após essas reflexões e a deriva, paramos para entender uma intervenção temporária para um desses espaços passados durante a deriva, para ser construída coletivamente e instalada no dia seguinte.
A partir das discussões e desejos dos participantes, foi decidido criar, a partir da técnica utilizada pela Flutua de soldar plásticos, um grande tubular inflável, na intenção de chamar atenção às demandas dos estudantes para dentro do campus da universidade. Então, durante o fim do primeiro dia e o segundo dia, criamos, colaborativamente, uma instalação inflável.
Após pronta, ela foi instalada em um dos edifícios da universidade. Mas o que fica deste momento é além do ensino da técnica, das reflexões dos dois dias em conjunto e do trabalho em conjunto, o desejo acendido pelos estudantes em continuar mobilizando-se para exigir algumas demandas de dentro da universidade. A instalação inflável criada, ficou com eles, para seguirem criando e posteriormente instalaram como reivindicação de seus direitos.
Essa primeira atividade trabalhando as sacolinhas com slogan “Volte Sempre” é fruto de uma pesquisa que continuará sendo realizada dentro do coletivo.
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Data: Outubro | 2025
Local: Instituto de Artes – Universidade Estadual de Campinas | Campinas | SP
Equipe: Beatriz Brunialti Justo e Raisa Maria Gomes.
Fotos: Equipe FLUTUA, Andreia Costa e Ana Laura.